Saramago

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Domeniu: Filologie
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Publicat de: Ioana Szasz
Puncte necesare: 7
Profesor îndrumător / Prezentat Profesorului: Andreea Milea
Licenta in limba portugheza

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Introdução

Saramago e Sollers: uma (re)escrita irónica? Eis o fio condutor do nosso estudo. Este título sugestivo indicia já em filigrana as principais vias que iremos explorar em seguida no decorrer da nossa reflexão. Em primeiro lugar, o título coloca uma questão: saber se é legítimo falar de reescrita irónica em dois autores (Saramago e Sollers). Para esclarecer esta questão, iremos articulá-la com outras que lhe estão subjacentes: Porquê Saramago e Sollers? Porquê a (re)escrita? Porquê uma reescrita irónica?

O processo comparativo que nos propomos encetar está centrado num procedimento textual, “a reescrita”, mas trata-se de uma reescrita “condimentada” par ironia. O título engloba e conjuga aliás estes dois conceitos-chave, cujo uso nos propomos estudar. Com efeito, o nosso objectivo é analisar o papel de uma mesma técnica textual (a da reescrita), num contexto específico (o do romance), e do ponto da vista da ironia. Reescrita e ironia surgem assim como conceitos centrais neste estudo, aparecendo cruzados e conjugados entre si, assim como outros conceitos que com eles estabelecem relações pertinentes, tais como a paródia e o dialogismo, que lhes servirão de suporte, de complemento e até mesmo de base.

De facto, todos estes conceitos parecem caracterizar-se pela sua “duplicidade”, convocando a noção de duplo. Todos estes conceitos parecem ainda pôr em jogo materiais textuais que são reutilizados e investidos de outros sentidos, aos quais se encontram subjacentes outras leituras, com frequência denunciadas e indiciadas pela ironia ou paródia. Esta multiplicidade transforma a leitura numa aventura intertextual tecida de reescritas irónicas ou paródicas. É justamente da decifração e da interpretação da sua relação com os modelos intertextuais que dependerá o acesso a outras leituras, dado que só o reconhecimento do texto “primeiro”, ou seja anterior, permite aceder à reescrita e às suas “apostas” semânticas e textuais.

Porquê Saramago e Sollers? Porquê estudar a reescrita precisamente nestes dois autores e não noutros? Por um lado, porque ambos a usam com mestria mas de modo distinto. Mas também, e sobretudo, porque ambos a inscrevem sob a égide da ironia. Por outro lado, a comparação esboçada basear-se-á no estudo das diversas manifestações da reescrita, da qual a nossa démarche procurará explicitar o funcionamento.

É justamente este o motivo que justifica a nossa escolha de um corpus compósito e restrito, constituído por quatro obras: Le lys d´or, Femmes, no caso de Sollers, O Evangelho Segundo Jesus Cristo e A História do Cerco de Lisboa, no de Saramago. A escolha dos romances que constituem o corpus de trabalho da nossa análise justifica-se por vários motivos. As quatro obras seleccionadas pertencem, em primeiro lugar, ao género romanesco. Estes romances oferecem-nos um corpus variado e recheado de reescritas. Por outro lado, estes reescritas são quase sempre denunciadas pela ironia. Esta redução do corpus, apenas aparente na medida em que toda a reescrita convoca obrigatoriamente um ou mais textos, justifica-se por duas das restrições mais comuns que regem todo o estudo: o tempo e o espaço. Finalmente, parece-nos também legítimo invocar um último factor para explicitar a escolha destes quatro romances no leque variado da produção literária de Saramago e Sollers. Este factor está ligado ao delectare, isto é ao prazer que provocam certas leituras em detrimento de outras. É precisamente esta fruição, este prazer do texto de que nos fala tão bem Roland Barthes, que é implicitamente convocado nesta breve reflexão sobre a questão da reescrita.

Para esclarecer o olhar curioso de leitor sobre as etapas seguidas ao longo deste estudo, explicitaremos agora brevemente a metodologia adoptada. Esta reflexão sobre a reescrita irónica desenvolve-se ao longo de três capítulos. No primeiro esboça-se uma definição do que entendemos por “reescrita” a partir do estudo crítico e comparativo de várias reflexões teóricas que alicerçam a análise posteriormente desenvolvida do corpus escolhido. Assim sendo, o objectivo não é apenas o de teorizar sobre a noção de reescrita, mas sobretudo o de explicitar o seu funcionamento a nível textual em dois autores específicos. Assim, a démarche seguida estará centrada na análise de várias posições teóricas, conjugadas, comparadas e completadas entre si, para esboçar, de certo modo, uma definição do que entendemos por reescrita nestes dois autores. Mas também para estudar os mecanismos e as manifestações textuais, em suma, o funcionamento e o papel da reescrita nos seus romances.

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